Enfermeira prepara uma das doses da vacina em unidade de saúde de Mariana. Foto: Flávio Ribeiro/VERTICES

DE MARIANA – Para a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG), a hipótese de que o surto de febre amarela no Estado tenha alguma relação com a tragédia de Mariana deve ser considerada “precoce”. A afirmação foi feita neste sábado (21) ao VERTICES após confirmação de que o órgão enviou mais de 3800 doses da vacina contra a doença para as cidades de Mariana e Ouro Preto.

De acordo com a secretaria, parte dos municípios que foram afetados pela tragédia da barragem da Samarco, controlada pela Vale e BHP Billiton, não apresentaram morte de macacos e nem casos de febre amarela e que, por isso, não há justificativas na suposta relação entre um evento e outro.

“Essa correlação entre a tragédia de Mariana e os eventos localizados de febre amarela silvestre em Minas Gerais é precoce, visto que alguns municípios atingidos diretamente pelo acidente não apresentam epizootias e/ou casos de febre amarela, e outras áreas que não foram afetadas [pelo desastre] apresentam esse cenário”, reitera a secretaria.

A secretaria não informou se pretende investigar as possíveis causas do surto de febre amarela em Minas, apenas disse que os esforços prioritários atualmente estão concentrados na “contenção do surto, na vigilância das epizootias e no acompanhamento dos casos humanos”.

A Fundação Renova, criada pela mineradora Samarco para tratar da reparação do desastre, determinou um painel de especialistas para debater o assunto. “A ideia é discutir aspectos urgentes e pouco abordados da ecologia de interações parasita-hospedeiro, emergência de arboviroses, riscos à saúde, meio ambiente e outros”, diz nota.

Os macacos e a doença

De acordo com a bióloga da Fiocruz Marcia Chamez, não há dados disponíveis que possam correlacionar a tragédia de Mariana aos casos, mas que “o conhecimento disponível aponta a relação da degradação ambiental, além de outros fatores, com os surtos também em outros estados”.

A coordenadora do Centro de Informação em Saúde Silvestre afirma que com a degradação da natureza e sua consequente alteração no ecossistema, espécies como os macacos – um dos principais transmissores da febre amarela – se tornam mais suscetíveis às doenças infecciosas.

A transmissão da febre amarela silvestre por meio dos primatas ocorre quando o animal possui a doença e é picado pelo mosquito Haemagogus e/ou Sabethes, que pode repassar a febre amarela ao humano nas áreas rurais. Já no meio urbano, a infecção pode ocorrer pela picada do mosquito Aedes Aegypti, o mesmo que transmite a dengue e a chikungunya.

Os casos

Neste ano, até o último balanço divulgado pela Secretaria de Estado de Saúde, na sexta (20), foram notificados 206 casos suspeitos de febre amarela, sendo que desses, 34 são casos confirmados.

Também foram registradas 54 mortes suspeitas. Dessas, 23 foram confirmadas como febre amarela. Essas mortes ocorreram nos municípios de Ladainha (7), Piedade de Caratinga (2), Ipanema (3), Malacacheta (2), Imbé de Minas (1), São Sebastião do Maranhão (2), Frei Gaspar (1), Itambacuri (2), Poté (1), Setubinha (1) e Teófilo Otoni (1).

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